O que é o TRIMIX?

COMO NASCEU O TRIMIX

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Os limites práticos para operações de mergulho com ar foram estabelecidos em 1915, quando o USS F-4 da US Navy foi recuperado a uma profundidade de -92 metros. Os mergulhadores da marinha americana simplesmente não conseguiam trabalhar a esta profundidade, além da penalidade na descompressão tinham o tempo de fundo limitado a 10 minutos.

Em 1919, um inventor chamado Elihu Thomson especulou que o hélio deveria ser um substituto apropriado para o azoto em misturas respiratórias para mergulho, estimou um mínimo de 50% de ganho na profundidade máxima operacional. Nesta época o custo da mistura hélio era elevado o que inviabilizava sua utilização. Alguns anos mais tarde foram descobertas minas de gás natural no Texas que produziam hélio, o que reduziu seu custo.

Em Dezembro de 1937, Max Nohl estabeleceu um novo recorde mundial de profundidade respirando heliox, realizou um mergulho a -129 metros no Lago Michigan. Logo a seguir, a marinha americana realiza mergulhos simulados a -154 metros. O primeiro "teste de fogo" do hélio veio com o afundamento do submarino USS “Squalus” em 1939, a uma profundidade de -74 metros. Durante esta operação de resgate, um mergulhador respirando ar não foi capaz de reparar um cabo de conexão utilizado no sino de resgate. Apesar do afogamento de 29 tripulantes, o uso de hélio permitiu o resgate de 33 homens, bem como a execução de mais de 100 mergulhos sem a ocorrência de incidentes. Isto demonstrou que o hélio era uma alternativa viável para as operações de mergulho profundas.

 

HISTÓRIA DO TRIMIX COMO GÁS DE MERGULHO

Datas mais importantes

 1919
 

  • Professor Elihu Thompson especula que o hélio pode ser utilizado em substituição do azoto para reduzir a resistência à respiração a grande profundidade. Os efeitos da narcose ainda não tinham sido comprovados até ao resgate do USS “Squalus”, em 1939. O heliox foi usado com mesas ar resultando numa alta incidência de doença de descompressão por isso o uso de hélio foi interrompido.

 1925
 

  •  A marinha americana começa a analisar o potencial da utilização do hélio e em meados de 1920 em animais de laboratório que foram expostos numa câmara experimental para mergulhos utilizando heliox.  Logo, para os seres humanos a respiração heliox 20/80 (20% de oxigénio, 80% de hélio) foi descompactado com sucesso a partir de mergulhos profundos.

 1937
 

  • Mergulhadores realizam diversos testes com as misturas de hélio, incluindo os mergulhadores de resgate do Max "Gene" Nohl que podiam mergulhar a -127 metros.
     

 1939
 

  •  A marinha americana utilizou heliox na operação de resgate do USS “Squalus”.
     

 1965
 

  •  Os primeiros mergulhos de saturação utilizando héliox.
     

 1970
 

  •  Hal Watts executa a recuperação do corpo duplo em Mystery Sink (126 m). Sheck Exley e Jochen Hasenmayer utilizaram héliox num mergulho feito numa gruta a uma profundidade de -212 metros.
     

 1987
 

  • Primeiro uso em massa de Trimix e heliox: Wakulla Springs Project.  Exley ensina mergulhadores não profissionais em relação ao uso do trimix em mergulhos efectuados em cavernas.
     

 1991
 

  •  Billy Deans iniciou o ensino do mergulho com a mistura “trimix” aos mergulhores recreativos. Tom Mount desenvolve a formação do trimix, as primeiras normas ( IANTD).  O uso de trimix espalha-se rapidamente por toda a comunidade do mergulho americana.

 

 1994
 

  •  Uma equipa combinada por mergulhadores de UK / E.U.A., incluindo os principais mergulhadores em destroços John Chatterton e Gary Gentile, concluíram com êxito uma série de mergulhos no naufrágio do RMS “Lusitânia” expedição a uma profundidade de 100 metros com trimix.

 

 2001
 

  •  O Guinness Book of Records reconhece John Bennett como o primeiro mergulhador a mergulhar a 300 metros, usando Trimix.

 

 2005
 

  • David Shaw bate o recorde de profundidade com a utilização de um Rebreather com trimix, morrendo tragicamente ao repetir o mergulho.
     

CAPÍTULO II

O QUE É O TRIMIX

            Trimix é uma mistura de três componentes ("tri" e "mix"), e geralmente quando as pessoas falam de trimix, o que significa é uma mistura de três gases: hélio, oxigénio e azoto. O tTrimix is used in very deep dives instead of air to reduce the partial pressure of oxygen (to avoid oxygen toxicity) and nitrogen (to avoid nitrogen narcosis).trimix é utilizado em mergulhos profundos em vez do ar para ajudar a diluir o oxigénio para limites aceitáveis e controlados (evitar a toxicidade de oxigénio) e azoto (evitar a narcose de azoto).

Com uma mistura de três gases, é possível criar combinações adequadas (standards ou personalizadas) para diferentes profundidades ou efeitos, ajustando a proporção de cada gás. Heliox is a mix of helium and oxygen ("heli" and "ox").Devido às suas características não narcóticas, o hélio é o gás preferido na produção de misturas trimix. No mergulho profundo, quando se respira ar, a narcose torna-se progressivamente mais evidente, a partir dos 30 metros, resultado da elevada pressão parcial do azoto respirado, que afecta o sistema nervoso central. Para evitar estes efeitos de narcose utilizam-se misturas gasosas com gases inertes, com potencial narcótico menor, que substituam o azoto em parte ou na sua totalidade.

Baixas pressões parciais de oxigénio causam hipoxia e por outro lado altas pressões parciais de oxigénio causam hiperoxia, factor preocupante e com consequências muito graves.

PORQUÊ USAR O TRIMIX

Os dois principais factores que limitam os mergulhos profundos são a narcose pelo azoto e a intoxicação pelo oxigénio. Quando o mergulhador se expõe a pressões parciais de oxigénio devido a vários dias de operações ele pode entrar numa zona nebulosa com consequências imprevisíveis (OTU´s e % CNSOxygen Tocicity Unit e Central Nervous System ver toxicidade ao oxigénio).

O azoto é narcótico, com o aumento de profundidade compromete demasiadamente o desempenho do mergulhador justamente quando ele mais precisa de ter uma mente sã.

 Com o mergulho profundo o mergulhador está mais sujeito a perigos e potenciais acidentes que não acontece a profundidades menores quando se mergulha com ar. O mergulhador deverá estar lúcido para controlar e tomar as melhores decisões sem estar deturpado pela elevada PPN2 (Pressão Parcial de nitrogénio) no organismo (narcose - diferentes estados de narcose ou + ou menos estando esta sempre presente) devido á profundidade. Reduzindo-se o conteúdo de oxigénio e azoto na mistura respiratória através da adição de hélio (um gás inerte não -narcótico), podemos ajustar a mistura de modo a controlar os níveis de oxigénio e azoto para o perfil de mergulhoplaneado ( por exemplo efetuar um mergulho a 100 mtrs com um equivalente narcótico igual a como se estivéssemos a mergulhar com ar a 20 metros). No processo, reduzimos também a densidade da mistura respiratória, diminuindo igualmente o esforço respiratório e reduzindo o risco de acumulação de dióxido de carbono.

 

A Pinguim Sub agradece ao Sar João Ramos- Mergulhadores- (Marinha Portuguesa) pela cedência de parte deste texto da sua autoria